Esta entidade não tem como prática pedir votos diretamente para candidatos. Mas há momentos em que o silêncio também é uma escolha, e este é um deles.
A história do movimento sindical brasileiro é a história da defesa da democracia. Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), sindicatos sofreram intervenção, lideranças foram perseguidas e cassadas, e foi a retomada das greves de 1978 a 1980 que reconstruiu a organização dos trabalhadores e abriu caminho para a Constituição de 1988, que garantiu a liberdade sindical e o direito de greve. Em respeito a essa memória, não podemos nos omitir diante de projetos que ameaçam o Estado democrático de direito e a organização dos trabalhadores.
Por isso, em defesa da estabilidade, da valorização de todos os trabalhadores em educação, docentes e não docentes, e do direito universal da população a uma educação pública de qualidade, a APPI/APLB – Delegacia Sindical Costa do Cacau manifesta publicamente seu posicionamento a favor de Lula e contrário ao voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Soma-se a isso um cenário em que a direita conquistou ampla presença na Câmara dos Deputados e no Congresso Nacional. Com um presidente do mesmo campo, haveria pouco contrapeso institucional para conter retrocessos.
Vamos cruzar os braços e aguardar?
O projeto em disputa aponta para riscos que a categoria não pode ignorar:
Na educação:
– Fim da tramitação do piso nacional dos trabalhadores em educação;
– Redução dos pisos mínimos de investimento em educação (e em saúde);
– Ameaça à meta de investimento de 10% do PIB em educação;
– Cortes anunciados na educação, que inviabilizam o Pé-de-Meia;
– Avanço da terceirização nas escolas, de professores e não docentes, nos moldes de Paraná e São Paulo;
– Ataques às universidades públicas e à produção científica.
No serviço público e no mundo do trabalho:
– Enxugamento da máquina pública e flexibilização dos vínculos, com risco para a estabilidade do servidor efetivo e para a realização de concursos;
– Desvinculação da aposentadoria do salário mínimo;
– Encerramento do debate sobre o fim da escala 6×1 e implantação do salário por hora trabalhada;
– Ameaça de reescrever a Constituição de 1988.
Não podemos compactuar com ações que excluem o povo e atentam contra a democracia. O momento exige união, posicionamento firme e muita consciência de classe.
APPI/APLB Sindicato – Delegacia Sindical Costa do Cacau









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